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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Sublimidade da arte musical

Sublimidade da arte musical tem importante papel na educação e espiritualização do ser.

Muitos questionamentos têm sido aventados quanto à pertinência ou não do uso da música em reuniões espíritas, públicas ou mesmo mediúnicas. Alega-se, muito freqüentemente, se não estaríamos incidindo em práticas ritualísticas comuns a outras correntes religiosas.

Preliminarmente, recorramos à questão 251,de O Livro dos Espíritos, na qual se faz refe­rência aos encantos da música celeste, praticada nas esferas espirituais elevadas, como sendo "tudo o que de mais belo e delicado pode a imaginação espiritual conceber".

Em Obras Póstumas, Segunda Parte, temos o relato de uma jovem musicista que, conduzida pelos protetores espirituais em estado sonambúlico, mergulha em intenso êxtase ao sentir a magnífica harmonia celestial.

Alguns anos após, o Espírito André Luiz, em sua obra intitulada Nosso Lar, psicografada por Francisco Cândido Xavier, viria nos oferecer fortes subsídios que confirmariam a imprescindibilidade da música nas atividades desenvolvidas no plano espiritual, principalmente às páginas67 e 68, onde deparamos com decisiva elucidação acerca da temática ora abordada; vejamos:

"Em plena via pública, ouviam-se, tal qual observara à saída, belas melodias atravessando o ar. Notando-me a expressão indagadora, Lísias explicou fraternalmente: Essas músicas proce­dem das oficinas onde trabalham os habitantes de "Nosso Lar". Após consecutivas observações, reconheceu a Governadoria que a música intensifica o rendimento do serviço, em todos os setores de esforço construtivo. Desde então, ninguém trabalha em "Nosso Lar" sem esse estímulo de alegria".

No capítulo 45, daquela mesma obra, o autor espiritual discorre so­bre as atividades no "Campo da Música", aprazível localidade destinada aos mais interessantes exercícios musicais, onde, inclusive, teve a grata oportunidade de maravilhar-se com um belíssimo hino, cantado por duas mil vozes simultâneas.

Ressalte-se, oportunamente, que o Espiritismo há de concorrer decisivamente para o processo de sublimação da música no planeta em que vivemos, como conseqüência de sua salutar influência na reforma moral dos homens. A propósito, transcrevemos uma interessante orientação, inserida em Obras Póstumas, também na Segunda Parte, na qual o Espírito Rossini, que na Terra foi conhecido compositor lírico italiano, fala-nos sobre a ação que a Doutrina Espírita certamente terá como elemento refinador das composições musicais, tendo assim se expressado:

"O Espiritismo, mor­lizando os homens, exercerá, pois, grande influência sobre a música. Produzirá mais compositores virtuosos, que comunicarão suas virtudes através de suas composições.(...) Por outro lado, os ouvintes que o Espiritismo preparar para receber mais facilmente a harmonia, sentirão verdadeiro encantamento ao ouvir a música séria; desprezarão a música frívola e licenciosa, que seduz as massas".

Plenamente justificada, então, a utilização da música, em qualquer de suas manifestações, desde que consonante com os objetivos superiores a que nos dediquemos, notadamente no ambiente espírita, guardando-se a devida cautela na seleção das melodias a serem entoadas, de modo a conduzir encarnados e desencarnados a um clima mental satisfatório.

Por extensão, a musica far-se-á poderoso e legítimo coadjuvante na condução dos ensinamentos espíritas, seja nas tarefas de evangelização da infância e da juventude; nas preliminares ou encerramento de reuniões.

Deixemo-nos levar, portanto, pelas melodias edificantes que o mundo nos ofereça, ou que as nossas vozes ou instrumentos possam produzir, reconhecendo que, onde quer que se situe, a música, desde que sublime, é prece que enleva e enobrece o espírito eterno que todos somos, permitindo-nos entrar em estreita comunhão com os planos superiores da expressão espiritual.

JOSÉ MARCELO GONÇALVES COELHO
fonte: Revista Internacional de Espiritismo

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Expansão de nossos limites...

“A forma que fazemos música
é a forma com que nos relacionamos
com o silêncio.”
“A forma que vivemos
é a forma com que nos relacionamos
com a morte.”
Arvo Pärt

Esse texto, que hoje posto aqui, na verdade é algo como um koan, que são pequenos poemas-enigmas japoneses cujo o objetivo é um convite a reflexão meditativa.

Talvez vocês achem meio "amalucado", talvez não faça algum sentido senão para cada disposição em lê-lo.

Vou arriscar...


I

Ansiedade, medo, perdição...

Primeiro, o desejo da unidade em si mesmo.

Depois no corpo. Tato dos sentidos, a descoberta do mundo.

Existo, tudo mais existe!

Desejo de relação, um salto, e uma queda.

Vertigem do eterno abismo em um vôo maravilhoso.

Expansão de nossos limites. Nos perdemos, nos achamos.

O que somos?

Somos nada e tudo... Somos.

Onde começamos, e terminamos?

Silêncio e música; vida e morte.

Completude, alegria, comunhão...


DANIEL MARTINS
Daniel, é violonista do Änïmä,
voluntário do Instituto Anima
formado em Geologia pela USP,
e trabalha como Geólogo da Petrobrás.